sexta-feira, 15 de junho de 2018

Vou torcer para o Brasil, sim!


Tenho lido e recebido, por meio das famigeradas redes antissociais, algumas manifestações de “brasileiros” que dizem não mais torcer por nossa seleção de futebol por razões as mais variadas possíveis. 

Aqui está um trecho de uma dessas mensagens que recebi: “A CBF é corrupta (…) Estamos desempregados, sem hospitais, sem escolas decentes (…) seria esquizofrênico esquecer tudo isso por causa de uma Copa do Mundo de futebol”. 

Como entusiasta da lógica, posso afirmar que as razões acima não encontram qualquer respaldo lógico e não representam argumentos racionais para não torcer pela seleção. 

O Brasil é muito maior que a CBF; a nação é muito mais importante que um ou outro jogador despolitizado; o povo brasileiro está muito acima desse desgoverno temerário; a república é mais que essas páginas infelizes de nossa história. Não estou cá a fazer papel de Policarpo Quaresma e até abomino o ufanismo; mas como brasileiro racional que ama este país, não poderia deixar de contestar os agoureiros. 

É preciso lembrá-los: este é o país de gênios da literatura universal como Guimarães Rosa e Machado de Assis; de inigualáveis construtores de versos, como Drummond e Bandeira. O Brasil é o país de mentes brilhantes como Adolpho Lutz, Carlos Chagas, Cesar Lattes, Johanna Döbereiner e Oswaldo Cruz; do pai da aviação, Santos Dumont. Portinari, Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti têm as cores do Brasil. 

Antônio Carlos Jobim, Ary Barroso, Chiquinha Gonzaga, Carlos Gomes, Chico Buarque, Caetano, Gil, João Gilberto e Villa-Lobos são acordes brasileiros. 

Altaneiras personalidades do desporto são daqui como Pelé, Maria Esther Bueno, Eder Jofre, Robert Scheidt, Daniel Dias, Guga, Sócrates Brasileiro, Vanderlei Cordeiro de Lima, dentre tantos outros. 

Até na política, hoje tão malquista, temos referências respeitáveis: Cláudio Manoel da Costa, José Bonifácio, Dom Pedro II, JK, Joaquim Nabuco, José do Patrocínio, Ruy Barbosa, Zumbi dos Palmares, dentre outros (a lista não é extensa, mas é respeitável). 

Esses nomes por si só não configuram motivos para torcer pela seleção, mas quer dizer que temos ligações patrióticas para além de nossos olhares presentes. Eles são brasileiros como nós e que não desistiram do país, ao contrário, honraram-no e engrandeceram-no. Nosso terroir é invejavelmente belo, singularmente próprio, brasileiramente engrandecedor. Orgulho-me em dizer que sou brasileiro. 

Nossos grandiosos problemas sociais não nos devem ser motivos para agourar; não devemos esquecer nada em nome da Copa, mas que tudo (até o futebol) nos seja verdadeira inspiração para lutar por um país melhor e mais justo. 

Está faltando estudo, racionalidade, lógica e uma pequenina dose de patriotismo a alguns brasileiros. Entendo o não torcer pela seleção, mas abomino o boicote, o despatriotismo e esses mau agouros à nação. 

Nossa pátria multiétnica é o Colosso do Sul, “o poderoso domínio de potencialidades ilimitadas”. Se o momento é difícil, ora, trabalhemos para superá-lo . 

Dito tudo isto, ressalto o que todos os brasileiros sabemos logo ao nascer: o futebol é um dos elementos de construção de nossa identidade. Somos a pátria de chuteiras, como diria o nosso saudoso radiologista do cotidiano Nelson Rodrigues. 

Por fim, se me fosse concedida a dádiva de uma nova vida, sem hesitação alguma eu novamente quereria ser brasileiro. 

Neste domingo estarei, uma vez mais, vestido de verde, amarelo e esperança imorredoura para torcer pela seleção do meu país. 

Alisson Diego Batista Moraes, 33, brasileiro
www.alissondiego.com.br

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